
CHIMARRÃO
Regina Zambon Schmidt
“Lá em casa não falta tradição. Chimarrão tem todo dia, para a vida não ficar vazia. Chega um vizinho, depois outro e mais outro. A roda vai aumentando e tem gente que toma um só, em pé mesmo para não perder tempo. E depois, às vezes, tem acompanhamento. Tem uma balinha, uma bolachinha, e o que não falta é boa conversa. Passa lá em casa prá tomar um amargo.”
Isso quem me disse foi um grande amigo, tenho saudade dele quando pego a cuia. Ele nunca foi tradicionalista de carteirinha. Nem precisa, o chimarrão é a maior prova de que amor pelo Rio Grande não lhe falta. Essa lembrança me faz escrever do mate-amargo, do chimarrão.
O chimarrão que nasceu amargo, cevado com as folhas da erva-mate, das amargas, mas saudáveis e legítimas, foi tomando novas formas. Saiu das rodas dos tropeiros e entrou porta a dentro em nossas casas e aí, ninguém mais conseguiu mandá-lo embora.
Hoje quando chega visita, pelo menos aqui no sul, é quase obrigatório tomar chimarrão. E quem não toma, não deixa de ser gaúcho, pois participa da conversa, que na verdade também faz parte da tradição.
O chimarrão ganhou novas formas, novas cuias, novas bombas, e até novo sabor, mas não perdeu a essência. È uma tradição passada de pai para filho, de geração em geração. Eu fico pensando, seria maravilhoso se todos os bons hábitos, costumes, os bons ensinamentos tivessem esse mesmo alcance, a vida é que já seria bem melhor.
Longe de ser água quente, água verde, ou qualquer outro desses rótulos que dão aqueles que não saboreiam este doce amargo sabor. O chimarrão está presente em todas as horas. È, na verdade, o chimarrão responsável por colocar em dia as conversas, as trocas de idéias, os desabafos, as angústias, as tristezas, as alegrias, enfim, até aquele “papo-furado”fica mais gostoso quando acompanhado por essa bebida.
O chimarrão ocupa um lugar muito especial em nossas casas, serve de remédio, de aperitivo, de ele de ligação. A cuia passa de mão em mão, servida com a mão do coração selando nossa união. Esse, é na verdade, o papel do chimarrão.
Eu tomo chimarrão e agradeço a Deus por ter nascido no Rio Grande do Sul, onde as tradições, principalmente as mais sadias, perduram. Fico pensando, se o chimarrão desse nosso pago falasse, quanta história teria para contar, muitas delas repetidas inúmeras vezes e muitas ditas em segredo. Melhor assim, o chimarrão só escuta o que a gente tem a dizer. Ele não fala mas quando ronca é porque a água acabou e é hora de trocar de mão.
Sem falar no inverno, aquece não só os corpos tremelicos de frio, mas também a alma quando a gente encontra com a cuia na mão, pessoas que aquecem o coração.
O chimarrão nosso, a cada dia tem uma nova história para contar. É uma convivência de muitos anos que só a morte pode nos separar. Isso porque a gente não sabe se lá no céu vai ter chimarrão pra tomar.
Regina Zambon Schmidt
“Lá em casa não falta tradição. Chimarrão tem todo dia, para a vida não ficar vazia. Chega um vizinho, depois outro e mais outro. A roda vai aumentando e tem gente que toma um só, em pé mesmo para não perder tempo. E depois, às vezes, tem acompanhamento. Tem uma balinha, uma bolachinha, e o que não falta é boa conversa. Passa lá em casa prá tomar um amargo.”
Isso quem me disse foi um grande amigo, tenho saudade dele quando pego a cuia. Ele nunca foi tradicionalista de carteirinha. Nem precisa, o chimarrão é a maior prova de que amor pelo Rio Grande não lhe falta. Essa lembrança me faz escrever do mate-amargo, do chimarrão.
O chimarrão que nasceu amargo, cevado com as folhas da erva-mate, das amargas, mas saudáveis e legítimas, foi tomando novas formas. Saiu das rodas dos tropeiros e entrou porta a dentro em nossas casas e aí, ninguém mais conseguiu mandá-lo embora.
Hoje quando chega visita, pelo menos aqui no sul, é quase obrigatório tomar chimarrão. E quem não toma, não deixa de ser gaúcho, pois participa da conversa, que na verdade também faz parte da tradição.
O chimarrão ganhou novas formas, novas cuias, novas bombas, e até novo sabor, mas não perdeu a essência. È uma tradição passada de pai para filho, de geração em geração. Eu fico pensando, seria maravilhoso se todos os bons hábitos, costumes, os bons ensinamentos tivessem esse mesmo alcance, a vida é que já seria bem melhor.
Longe de ser água quente, água verde, ou qualquer outro desses rótulos que dão aqueles que não saboreiam este doce amargo sabor. O chimarrão está presente em todas as horas. È, na verdade, o chimarrão responsável por colocar em dia as conversas, as trocas de idéias, os desabafos, as angústias, as tristezas, as alegrias, enfim, até aquele “papo-furado”fica mais gostoso quando acompanhado por essa bebida.
O chimarrão ocupa um lugar muito especial em nossas casas, serve de remédio, de aperitivo, de ele de ligação. A cuia passa de mão em mão, servida com a mão do coração selando nossa união. Esse, é na verdade, o papel do chimarrão.
Eu tomo chimarrão e agradeço a Deus por ter nascido no Rio Grande do Sul, onde as tradições, principalmente as mais sadias, perduram. Fico pensando, se o chimarrão desse nosso pago falasse, quanta história teria para contar, muitas delas repetidas inúmeras vezes e muitas ditas em segredo. Melhor assim, o chimarrão só escuta o que a gente tem a dizer. Ele não fala mas quando ronca é porque a água acabou e é hora de trocar de mão.
Sem falar no inverno, aquece não só os corpos tremelicos de frio, mas também a alma quando a gente encontra com a cuia na mão, pessoas que aquecem o coração.
O chimarrão nosso, a cada dia tem uma nova história para contar. É uma convivência de muitos anos que só a morte pode nos separar. Isso porque a gente não sabe se lá no céu vai ter chimarrão pra tomar.
Olá Regina! Parabéns pelos belos textos do blog, vc sempre foi ótima com as palavras ditas e escritas! felicidades pra vc e para sua família linda! Beijocas!
ResponderExcluir.oooO .....
ResponderExcluir(....).... 0ooo
.\..(.....(.....)...
..\_)..... )../....
.......... (_/.....TÔ PASSANDO!!!
para te dar os parabéns!!!
tava na hora de vc voltar a escrever...
bjo....Léo